Desaparecidos em Cinasville: Parte I

– Prefeito! Prefeito! Por favor! Vocês têm notícias dos desparecidos?

O prefeito ignora a repórter e ela se volta para mim:

-Capitão Gensel! Meu nome é Jessica Klein, sou do Diário da Bavária, você já tem alguma notícia ou pista dos desaparecidos?

Respondo bem rápido antes de entrar na delegacia:

– Até o momento foram constatados seis desaparecimentos que não deixaram nenhum tipo de vestígio, nem marcas de arrombamento ou de luta. Estamos trabalhando duro para que todos estejam de volta em seus lares sãos e salvos!

Entro na delegacia rapidamente, já estava cansado de dar satisfações sobre o desaparecimento dessas pessoas. Chegando lá dentro um casal estava desesperado:

– Alguém me ajuda! Nossa filha está desaparecida! – disse o homem abraçado com uma mulher que estava aos prantos.

Agora são sete desaparecidos – pensei alto – e todos que estavam na delegacia olharam para mim. O prefeito se aproximou com um senhor bem baixo e gordo, dono de umas das melhores cervejarias de Cinasville. Eu pensei que o senhor estava preocupado com as pessoas até ele abrir a boca e dizer:

– E o festival, Capitão Gansel? Corre algum risco de ser cancelado? Estou muito preocupado em não faturar as minhas cervejas esse ano!

Reviro os olhos revoltado, não é possível que esse homem esteja preocupado com isso. O prefeito responde:

– Há coisas mais importantes que faturamento Sr. Harten, não acha? Não estou dizendo que o festival Bomer Spiel não é importante! Este evento movimenta o nosso turismo trazendo benefícios para todos! Por isso vamos fazer de tudo para que isso se resolva antes do evento não é capitão?

Antes que eu pudesse responder ele me interrompe e continua falando:

– Foi isso que eu vim tratar com você capitão! Resolvi dar uma recompensa para a melhor equipe de pessoas, não precisam ser policiais, que conseguirem desvendar esse mistério! Já temos várias pessoas na sala ao lado esperando para se inscrever!

– Como assim prefeito? Ninguém me avisou de nada! – pergunto para ele assustado.

– Foi uma decisão rápida! – ele se vira para o Sr. Harten dizendo – É só isso que o Sr. tem para falar? Estou de saída, boa noite para vocês!

Ele se vira e vai embora. Vou em direção a sala morrendo de raiva: – Como assim ele arruma essa ideia de que qualquer pessoa pode resolver o caso e não me fala nada? E já temos pessoas para se inscrever? Ele deve estar achando que nós policiais não estamos dando conta!

Chego na sala e encontro nove pessoas prontas para se inscrever e nenhuma delas era um policial. Quando elas terminam de se inscrever, a única coisa que penso é que grupo esse meu Deus? Tinha um investigador paranormal, uma ex- cientista, um padre recém-chegado na cidade, um psiquiatra, uma garçonete, um motorista, a dona do melhor bar da cidade e seus dois empregados. Parece um filme que eu assisti esses dias, só faltou um tubarão lendo um livro.

Saio da sala indignado, como o prefeito deixa qualquer pessoa tomar conta de um caso tão importante quanto esse? Meus devaneios são interrompidos quando escuto alguém me chamando:

– Ei Capitão! Você tem um minuto? – Era o investigador paranormal.

– Sim! – Respondo tentando conter minha indignação.

– Eu tenho uma pista! Eu não sei se é necessariamente esse homem, mas um espírito me falou através de sonhos sobre um importante fazendeiro chamado Niko Kozlov aqui da cidade, conhece?

Todo mundo conhecia Niko Kozlov, ele era o fazendeiro mais rico da redondeza.

– Sim! Ele é praticamente o dono de quase todas as terras por aqui! O que tem ele?

– Os espíritos me contaram que com ajuda de pessoas importantes da igreja ele roubou algo muito valioso! Eu não sei o que é! Mas é algo muito importante! E uma das pessoas desaparecidas é o Padre Rene Vogal! O padre mais importante da cidade! Não acha isso suspeito?

– Sim! Isso é muito suspeito! – disse pensativo.

Não é que ele tinha razão! Isso era muito suspeito e ninguém confiava em Niko, ele era ambicioso e trapaceiro, foi assim que ele conseguiu subir na vida. Eu não podia perder essa oportunidade, é a primeira pista que tive em semanas do desaparecimento dessas pessoas:

– Eu quero que você junte o grupo e encontre comigo hoje à noite perto da fazenda do Sr. Niko Kozlov, entendeu? Vamos investigar para ver se achamos mais alguma coisa!

O investigador paranormal responde empolgado:

– Sim senhor! Estaremos lá!

Depois de um longo dia de trabalho, peguei meu carro e encontrei o grupo perto do portão da fazenda de Niko. Orientei que eles escondessem os carros e ficassem escondidos:

– Precisamos ser sorrateiros para que ninguém descubra que estamos lá!

O psiquiatra se aproxima me entregando um papel:

– Fiz um mapa da fazenda! Ela é muito grande! Vai ficar mais fácil para investigar!

Seguro o mapa na mão pensando como ele conseguiu fazer isso? Essa equipe está se saindo melhor do que eu esperava.

Esperamos os trabalhadores da fazenda irem embora e começamos a investigar, olhamos cada canto da fazenda e não achamos nada de suspeito, até que chegamos em uma ponte. No final da ponte havia uma casa velha sem nenhuma iluminação direito no local. Quando estávamos nos aproximando da casa, escutei uma criança chorar.

– Vocês estão escutando isso? Parece uma criança! – disse a garçonete

O choro de aproximava, peguei minha lanterna e iluminei o final da ponte. Havia uma criança muito esquisita, ela chorava muito, parecia ter uns dois metros e seu corpo era todo deformado. Escutei passos vindo atrás de nós e a ex-cientista gritou:

– SÃO TROLLS!

A luz da minha lanterna apagou e os Trolls começaram a atacar.


Ilustrador: Brendom Rodart

Escritora: Nathália Santos

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