O Jogo de Tabuleiro Parte II: O fim que não tem fim.

-EU NÃO POSSO FAZER ISSO COM MEUS AMIGOS! – gritei me afastando do tabuleiro.

– Você não tem escolha! Quem manda nesse jogo sou eu entendeu? COMECE LOGO!

Nessa mesma hora apareceu uma carta do jogo dizendo:

“O jogo começa com “ataque Alien em esconderijo secreto”

Pergunto assustado:

– O que isso quer dizer?

O espírito responde:

– Você é o mestre, esqueceu? Me surpreenda.

O tabuleiro tinha se transformado em um lugar escuro com uma sala e computadores de alta tecnologia, nessa sala estavam meus amigos sentados planejando alguma coisa. Do lado de fora dava para ver os Aliens se aproximando prontos para atacar, fiquei desesperado e acabei gritando:

– AMANDA!!!CAIO!! BRUNA!! GENTE!!! TEM ALIENS DO LADO DE FORA!!!

Eu percebi que eles me escutaram de algum lugar, mas não sabiam de onde estava vindo essa voz e nem pareciam entender o que eu falei. O espírito ficou furioso:

– Sabe o que acontece quando as pessoas não obedecem às regras? Elas são punidas!

Olhei para o tabuleiro os aliens tinham invadido o esconderijo, meus amigos lutaram bravamente, mas eles eram muitos e um deles acabou atacando a Alana, que era a Roxanne, e destruindo-a em mil pedacinhos. Encurralaram meus outros amigos, pensei que todos iam morrer nessa hora:

– JOGA!!- disse o espírito:

Não hesitei dessa vez, peguei uma carta e escrevi:

“Vladimir tinha construído uma passagem secreta que levava para o esgoto da cidade, a passagem foi construída na intenção de atacarem o quartel general dos aliens. Entrando pelo esgoto e saindo na sala onde as câmeras de clonagens estão para deixar uma bomba e explodir todas elas. Eles pensaram que esse plano seria executado com calma, não tinham imaginado que seriam atacados antes pelos aliens.

Por sorte foram encurralados em cima dessa passagem secreta e perceberam que era a hora de executar o plano.”

Coloco a carta no tabuleiro e vejo tudo acontecer:

– Estamos encurralados! O que vamos fazer? – Disse Alexa desesperada

– Vamos executar o plano agora! Estamos em cima da passagem secreta, vou acionar o botão! Quem está com a bomba? – Disse Vladimir.

– Eu! – disse Vitlaus

Assim que ele apertou o botão uma fumaça fez os aliens ficarem confusos e cegos. Eles desceram para o esgoto e quando os aliens perceberam já não estavam mais lá.

– Deu certo gente! Estamos no esgoto- disse Zatara, ofegante, mas animada.

– Vamos acabar com o plano desses aliens! – Disse Baox tirando um mapa que levava à sede dos aliens através do esgoto.

Começaram a seguir o mapa e andaram por um bom tempo pelo esgoto. Nesse meio tempo, acabei percebendo que realmente tudo que eu criava ganhava vida e o espírito estava muito focado na história. Acabei tendo uma ideia:

–  Acho que está muito fácil eles chegarem nessa sede, posso acrescentar mais coisa nessa parte da história? – Perguntei para o espírito.

– Claro! você é o mestre! – disse o espírito animado.

Peguei a carta e escrevi:

“Eles só não imaginavam que havia um monstro, parecendo um lagarto, que foi criado pelos alienígenas para vigiar as passagens do esgoto caso algum dia alguém resolvesse ter essa ideia.”

– Estamos quase lá – Disse Baox olhando o mapa.

Quando avistaram a passagem um enorme lagarto de olhos vermelhos surgiu pelas águas do esgoto, pegou Holocen pela perna e a jogou contra parede. Vitlaus percebeu que sua irmã não conseguiria mais andar e correu para protegê-la enquanto os outros começaram a atacar o lagarto. Zatara percebeu que o lagarto tinha um cordão no pescoço e dependendo de como ele se mexia, seus olhos ficavam pretos:

– Gente! Esse cordão está fazendo alguma coisa com ele! Temos que tirar- Disse Zatara

Baox e Alexa também perceberam e começaram a cercar o lagarto para tirar:

– Estamos cercando ele contra parede! Pula no pescoço dele Vladimir!

Vladimir não perdeu a oportunidade, pulou no pescoço do lagarto e arrancou o cordão. Na mesma hora o bicho não ficou bravo mais, entrou na água do esgoto e foi embora.

– Que história empolgante! Me surpreenda mais! – O espírito estava muito empolgado e percebi outra coisa, o espírito não conseguia ler o que estava escrito na carta. Ele realmente queria ver o desenrolar do jogo.

Peguei outra carta e fiz um fim para essa história.

“Os sobreviventes (que ainda podiam andar) chegaram na sede dos aliens e acabaram descobrindo que não existia nenhuma câmera de clonagem. Existia uma passagem para trazê-los de volta para casa, e o espírito que deu vida para esse jogo seria preso dentro dele para sempre”

Acabei de escrever e rapidamente joguei a carta no tabuleiro, fiquei esperando a ação acontecer.

– Tem certeza de que estamos mesmo na sede dos aliens? – Disse Alexa procurando as câmeras.

– Eu não vejo câmera nenhuma! – disse Baox

– O que isso? – disse Vladimir apontando para um buraco brilhante na parede.

Esse mesmo buraco apareceu na casa e começou a sugar o espírito para dentro do jogo e ele começou a gargalhar:

– Quebrando regras novamente Henrique? Está tentando me enganar? – disse ele gargalhando. Me agarrou pela perna e gritou – VAMOS VER SE VOCÊ SABE MESMO JOGAR, VEM COMIGO PARA DENTRO DO NOSSO JOGO.

Acabo sendo sugado junto com o espírito para dentro do jogo, através do portal vejo meus amigos de volta para onde estávamos jogando. Percebo que para mim dessa vez não teria volta, ficaria preso para sempre (ou até conseguir enganar esse maldito outra vez) no jogo.


Ilustrador: Brendom Rodarte

Escritora: Nathália Santos

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