O Jogo de Tabuleiro Parte I: A Viagem para Marte

– Estão prontos para jogar?

Meus amigos me olharam com uma cara bem desanimada quando me viram com um jogo de tabuleiro velho na minha mão.

– Sério Henrique? Você quer mesmo jogar isso? Parece jogo de criança! – Disse Caio tentando me fazer desistir.

– O nome do jogo é “A Viagem para Marte”! Parece muito com coisa de criança! – Disse Amanda zombando do meu jogo.

Os outros amigos que estavam ali concordaram e começaram a rir, eles olharam para mim bem pensativos:

– Vamos jogar gente! Não temos nada a perder! Se for ruim a gente para, pode ser?

– Vamos jogar pessoal! Começa logo esse jogo Henrique, antes que eu desista! – Disse Alana arrastando uma mesa para o centro e fazendo todos se sentarem para jogar.

Pego o tabuleiro correndo e coloco em cima da mesa, todos me olham assustados:

– Como funciona esse jogo? Não tem nada escrito! Está tudo em branco! – Disse Marlon confuso.

Pego a folha de instruções e começo a explicar:

–  Para a gente chegar em marte vamos ter que criar a própria história! Eu vou me encarregar de ser o mestre, aqui está dizendo que é aquele que comanda o enredo principal, os outros devem criar a história dos seus próprios personagens.

Pego umas cartas em branco que estavam junto com o tabuleiro e entrego para cada um dos jogadores. Assim eles começam a criar seus personagens:

– O meu já está pronto! Meu nome vai ser Vladmir, vou ser um robô construído pelo exército Russo, capturado por rebeldes e reprogramado para lutar do outro lado. Pronto para viajar para marte! – Disse Caio todo animado.

– Meu nome no jogo vai ser Zatara, vou ser uma androide criada para afazeres domésticos, e depois vendida para um físico nuclear com uma personalidade sádica, lá acabei sendo moldada para ser a segurança pessoal gratuita do físico, depois de vários experimentos no meu disco rígido acabei me auto programando para sobreviver, me tornando dona de mim mesma, desde então luto pela liberdade e justiça. – Disse Amanda toda se achando com sua personagem.

– Eu vou ser o Baox! Vou ser humano mesmo, criado como um guerreiro, com disciplina e respeito pela batalha, porém com um conflito pessoal. Descobri que na verdade sou parte de uma família de ladrões, mas nenhuma das minhas duas origens me agrada – Disse Marlon levando a sério o jogo.

– Eu quero que meu nome seja Roxanne! Eu adoro esse nome! Vou ser uma lunnar, nascida na lua, ex-policial com uma infância nada fácil. Fui abandonada pelo meu pai. E Minha mãe nunca entendeu o meu motivo por querer ser uma policial. Tenho um cachorro robô Nick, o último presente do meu pai antes dele partir. Ele é capaz de emitir um campo de forca que funciona como um escudo– Disse Alana sobre sua personagem demostrando como ela gosta de filmes de ficção.

– Meu nome vai ser Alexa e vou ser também uma androide. Meu antigo dono, um especialista em tecnologia, encontrou minha cabeça jogada em meio a sucatas no ferro velho. Ele a reconstruiu, mas minha memória não foi restaurada, por isso apresento certas habilidades e comportamentos que se diferenciam de outros androides.– Disse Bruna que adorava ser bem competitiva com Amanda.

– Eu vou ser uma Ciborgue! Parecido com aquele da Liga da Justiça! Vou chamar Holocen e durante a minha infância fui deixada com meu irmão Vitlaus que será o Bernardo pode ser? Fomos criados em um orfanato onde tivemos que aprender de tudo um pouco. Acabei sendo adotada por uma família de classe média, mas não perdi o contato com meu irmão, ele começou a fazer serviços externos para o diretor do orfanato que incluía assassinatos e espionagem. Ingressamos juntos no serviço militar, mas acabamos nos revoltando. Em uma missão, com meu irmão, ocorreu uma emboscada e em uma tentativa de sair em meio as explosões, perdi minha perna esquerda, enquanto Vitlaus, perdeu o braço direito. Com a ajuda de guerrilheiros, fizemos implantes de alta tecnologia. – Disse Luiza sorrindo pronta para jogar.

– Não esquece que meu braço vira um canhão! – Disse Bernardo me esperando começar o jogo.

Fiquei maravilhado com as histórias dos personagens:

– Ficaram Incríveis!! Isso porque vocês não queriam jogar!! Imagina se quisessem? Agora é minha vez de contar o enredo principal. Eu pensei em uma história em que os humanos se mudaram para Marte em 2089, em busca de expansão terrestre e começaram uma exploração de recursos para ver se era um bom lar para morarem. Depois de anos de exploração, acharam uma caverna que estava coberta por um desmoronamento e descobriram 12 caixas enormes. Dentro delas havia aliens, tinham mais de 2 metros de altura, roxos, pareciam ainda estar vivos, mas estavam cobertos por um líquido gelatinoso.

Trouxeram as caixas para a Terra, começaram a fazer testes nos alienígenas e quando conseguiram acordá-los, os cientistas se espantaram com sua força, poder e inteligência. Eles fizeram um acordo com os humanos, se a gente ajudasse a trazer seus irmãos de volta eles nos ajudariam a melhorar o nosso armamento, tecnologia e comunicação.

Depois de muitos anos de exploração os humanos descobriram que esse acordo era tudo uma farsa, os aliens mostraram que não eram nada pacíficos, e tomaram a terra, o sol e a lua. Oprimiram as raças espalhadas em todo o planeta e controlaram tudo ao seu redor.

Pensei em vocês como um grupo que já trabalhava na clandestinidade para sobreviver, foram convocados por agentes secretos para impedir que os aliens fizessem uma máquina de clonagem, para se livrarem das outras raças e se tornarem um povo único. Estão prontos para jogar?

Todos responderam:

– ESTAMOS!

Peguei a folha de orientação para ler as últimas instruções:

– Aqui está dizendo só para jogar as cartas no tabuleiro que o jogo vai começar!

Todos olharam confusos um para o outro e fizeram o que estava pedindo, jogaram as cartas no tabuleiro. Quando joguei a minha carta uma luz começou a se acender e tudo o que escrevemos estava ganhando vida. Quando eu olhei para os meus amigos, eles estavam virando os seus personagens, começaram a encolher e entrar no tabuleiro e desapareceram.

Fiquei muito assustado, o tabuleiro agora parecia com os planetas com todas as características da história que escrevi. Do meio do tabuleiro saiu uma carta virada, peguei para ler e lá estava escrito:

“Bem-vindo ao meu jogo! Vocês vieram para minha casa, sou um espírito solitário, achei interessante e resolvi dar um toque especial. Por aqui irão sair todas as cartas do jogo com todas as orientações para guiar os seus personagens. Mas temos algumas regras:

– Você vai guiar os seus personagens de acordo com a história que você criou.

– Os personagens irão sentir tudo de verdade, dor, fome, medo, frio, tudo isso será real.

– Na vida real as pessoas morrem, no jogo também!

– Se eu gostar do enredo, ao final do jogo, tudo voltará ao normal. Caso contrário, os danos serão mantidos. Este é o único jeito de sair.”

Depois dessa carta já se encontrava outra dizendo:

“PRONTO PARA JOGAR?”

Fiquei parado com essa carta na mão pensando, MEU DEUS O QUE EU FIZ?


Ilustrador: Brendom Rodarte

Escritora: Nathália Santos

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