Destinados a se encontrar

Estamos fugindo pela floresta há horas a procura de um local seguro para esconder minha mulher e o bebê que estava por vir. Olho para trás e percebo que Megan está no chão gritando de dor por causa das contrações:

–  Megan! Temos que andar mais depressa, se não eles vão acabar nos alcançando.

Tento ajudá-la a se levantar e ela responde chorando de dor:

– Eu não consigo andar por muito tempo mais, vou acabar ganhando essa criança!

– No meio da floresta não podemos ter essa criança, é muito perigoso e fácil demais para nos descobrirem!

Ela se levanta com muita dificuldade e começamos a caminhar. Por sorte, avisto um celeiro logo à nossa frente.

-Vamos nos esconder lá dentro Megan! Ninguém nunca irá desconfiar, poderemos ter o nosso filho em paz.

Ela não conseguia mais responder, estava muito fraca, só sinalizava com a cabeça concordando. A levo bem depressa para dentro do celeiro e a coloco deitada no chão bem delicadamente, corro para fechar porta e começo a ajudá-la a ter nosso filho:

-Megan meu amor, você vai ter que ser forte agora, faça força!

Ela segura a minha mão e grita de dor fazendo toda a força possível:

– Agora respira! Isso meu amor! Agora vamos, faça força mais uma vez!

Megan continua fazendo força e nada acontece, até que ela começa a olhar para a barriga e gritar desesperada:

– ELE ESTÁ ME COMENTO POR DENTRO! ESTÁ ABRINDO MINHA BARRIGA! SOCORRO!!!

Rasgo o seu vestido e vejo que a sua barriga está se mexendo como se alguma coisa quisesse sair. Fico paralisado sem saber o que fazer, Megan gritando enlouquecida de dor. A coisa realmente começou a sair, rasgando sua barriga ao meio. Percebo que Megan está morrendo:

-Meu amor por favor não me deixe, não sabia que isso poderia acontecer! Me desculpa!

Beijo sua testa e vejo que Megan já está morta. Quando olho para sua barriga, que já estava toda aberta, nasceu uma coisa que nem em outro planeta seria um bebê. Era pequeno, parecia um filhote de gato misturado com morcego, tinha pelos pelo corpo, asas bem pequenas e pequenos chifres na cabeça.

Ele olha para mim e sorri dizendo:

-PAPAI! – Esticando os bracinhos para ser carregado.

Saio de perto gritando desesperado, até que a porta do celeiro se abre, entrando meu pai, o rei do inferno e seu exército de demônios:

– Até que enfim eu achei você meu filho! Pensou que ia conseguir fugir por quanto tempo? Vejo que o meu neto já nasceu.

A coisa estica os bracinhos e meu pai o carrega fazendo cosquinhas em sua barriga.

Respondo indignando:

– Essa criatura não é meu filho!

Meu pai e a coisa começam a gargalhar e ele responde:

– É claro que é! Você acha que uma mistura de um demônio e uma humana daria em quê? Uma linda criancinha?

 Ele fala isso olhando para seu exército e todos morrem de rir.

– Vocês foram condenados meu filho, isso nunca poderia acontecer. Você é um demônio ou já se esqueceu disso Belial?

Respondo olhando para o corpo de Megan destroçado ao chão:

– Eu me esqueci no dia que a conheci, eu a amei tanto, tentei escondê-la de você, porque você nunca aceitaria o nosso amor.

Meu pai começa a gargalhar novamente:

–          Meu filho, eu sempre aceitei. Tudo o que fazia é parte da profecia:

“Um filho fugirá de casa e encontrará o amor da sua vida. O filho das trevas nascerá na terra da mesma forma que o filho da luz.”

Pode se orgulhar, você fez tudo o que o seu pai mais queria.

Fico horrorizado e respondo:

– Você me usou? Me deixou ir para a terra de propósito?

Ele me puxa pelo ombro e fala todo animado:

-Para de se lamentar meu filho, vamos para casa comemorar! QUE COMEÇE O FIM DOS TEMPOS!

Seu exército responde:

– VIVA O FILHO DAS TREVAS!


Ilustrador: Brendom Rodarte

Escritora: Nathália Santos

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