Eu Acredito em Fadas

Era uma vez um menininho que chamava João, ele morava com sua avó Matilde, uma velinha simpática que tinha uma loja de flores perto de uma floresta, longe da cidade. João cresceu escutando histórias da sua avó que suas flores eram cuidadas por fadas, mas ele nunca acreditou.

Até que um dia, ele estava sentado no fundo da loja da sua avó e percebeu um inseto estranho voando pelas flores. Era muito pequeno, do tamanho de mosquito, mas não parecia um mosquito, e ao invés de zunir, João escutou um canto:

Se não acredita em fadas,

Acredita em confusão

Irrite uma fadinha,

ELAS ADORAM MORDER UM DEDÃO”

João foi se aproximando devagarinho, e quando chegou bem perto, segurou o inseto estranho na mão, quando viu que não era um inseto, era uma pessoa bem pequenininha:

– Será que isso é uma fada?

 O inseto voou e travou o dente no seu dedão e depois disse:

– É claro que sou uma fada! E se não acredita, então eu vou morder seu dedão!

Ele pega um copo correndo e prende a fada dentro dizendo:

– Como você pode ser uma fada? Eu nunca pensei que fadas fossem assim tão feias!

A fada fica muito brava e tenta quebrar o copo para sair, mas ela era tão pequena que o objeto nem se mexia do lugar. E tadinha, a fada era mesmo uma coisinha muito feia, até parecia uma pessoa, mas seus olhos eram muito grandes como os de uma mosca e com asas também, seu corpo era cabeludo igual uma tarântula.

– Olha aqui, seu menino mimado! Feia é sua avó! Eu sou uma fada sim e se não acredita, já disse o que vou fazer!

-Então se você é uma fada, onde está sua varinha?

– Olha menino chato, pelo jeito você lê contos de fadas demais, não é? Eu não preciso de varinha, minha magia está nas flores. É por isso que eu vivo aqui!

João retruca a fada novamente:

– Eu não acredito nisso! Então vou soltar você, quero ver essa magia.

Ele solta a fada do vidro e ela já vai direto morder o seu dedão:

– Ficou doida! O que eu disse agora?

Ela responde muito brava:

– VOCÊ DISSE NOVAMENTE QUE NÃO ACREDITAVA! PARA COM ISSO! VOCÊ VAI SE ARREPENDER!

– Eu vou me arrepender? O que você vai fazer? Você é essa coisinha feia e minúscula, não vai conseguir fazer nada além de dar umas mordidas no meu dedão.

A fada dá seu último aviso para João, que não queria mesmo acreditar.

– Eu estou avisando, menino! Sou uma fada e não preciso provar nada para ninguém.

João volta a repetir:

– Eu não acredito!

A fada voa e agarra o dedão do João mais uma vez, só que dessa vez ele não sentiu só dor. Começou a sentir seu corpo mudando, ele estava crescendo, de uma forma desproporcional, seu corpo agora estava com pelos e acabou virando um gigante horrendo.

– O QUE VOCÊ FEZ COMIGO? PORQUE ME TRANSFORMOU EM UM GIGANTE?

Ela responde agora mais calma:

– Você não é um gigante, agora você é um troll! Eu avisei para você acreditar em mim, é isso que acontece se você não acredita em uma fada. Toda vez que você fala que não acredita, nosso corpo instintivamente é guiado para morder seu dedão, e depois de três mordidas você é amaldiçoado para ser uma criatura mágica. Você deu o azar de a sua ser um troll.

João começa a chorar desesperado:

– E agora fada? Como vou para casa? Como vou viver desse jeito?

A fada respondeu com muita delicadeza:

– Agora você é um ser magico assim como eu. Sei como é difícil alguém acreditar, por isso, de agora em diante, você vai para floresta e quem irá cuidar de você sou eu.

O menino inconformado e sem saber o que fazer, acaba concordando com a fada e a segue pelos fundos da loja em direção a floresta:

– E agora João, você acredita em fadas?

– Acredito!

Disse João agora tão rápido que nem pensou para responder.


Ilustrador: Brendom Rodarte

Escritora: Nathália Santos

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