Parque de Diversões

Todos na escola estavam empolgados com esse parque de diversões que tinha acabado de chegar na cidade. Não sei se a motivação seria mesmo o parque ou se é só mais um motivo para um bando de adolescentes se juntarem, encherem a cara de bebida e achar graça em passar mal nos brinquedos.

Será que eu sou mesmo adolescente? Eu não tenho essa animação, ainda mais as 6 horas da manhã e por causa de um parque! Estou aqui de fone escutando Led Zeppelin na maior altura para ver se pelo menos eu consigo ficar acordada.

Infelizmente, assim que bater o sinal para o final das aulas, vou ter que ir nesse parque idiota, a minha irmã é uma dessas adolescentes felizes e prometi para minha mãe que eu iria ficar de olho na Marcela. Para interromper a minha dose diária de reclamações, toca o maldito sinal e vou para a porta da escola, onde encontraria minha irmã para irmos direto ao parque.

Chegando lá começamos a rotina de gastar dinheiro e ir aos brinquedos. Quanto mais eu ia nesses brinquedos, mais eu via que cada um era mais velho do que o outro, não sei como esse parque ainda está de pé. A Marcela e seus amigos estavam lá, tão empolgados e bêbados que nem perceberam as bugigangas que estavam montando.

Até o final da tarde já tínhamos andado em quase todos os brinquedos, menos um. E, para minha infelicidade, a minha irmã teve a brilhante ideia de ir na montanha russa para finalizar o dia no parque.

Como eu tinha que acompanhá-la, eu fui.

Sentamos no primeiro carrinho, ele foi rangendo até chegar ao pico e na hora de descer eu senti os trilhos balançando muito. Quando ficamos de cabeça para baixo pela primeira vez percebi que o cinto não me seguraria por muito tempo e quando ele virou uma curva, escutei muitos gritos. Olhei para baixo e um carrinho tinha caído dos trilhos, duas pessoas estavam com os corpos estourados nos trilhos de baixo.

A Marcela gritava para parar, seus amigos e as pessoas que sobraram no carrinho também, mas parecia que ninguém escutava. Fiquei paralisada, não conseguia nem ao menos pedir socorro. Quando ficamos de cabeça para baixo novamente, alguém que estava logo atrás de mim caiu e talvez mais algumas pessoas. No final do loop o carrinho balançou muito, acho que passamos em cima de alguma coisa.

Estávamos entrando no último loop da montanha russa, mas esse era o mais alto de todos. Ao chegar ao topo, dessa vez o carrinho não andou mais, parecia que estava emperrado. Travei os pés na grade, e me agarrei ao assento com todas as minhas forças. Olhei para minha irmã e ela já estava toda vermelha do tempo que ficou de cabeça para baixo, eu devia estar assim também, já estava começando a ficar sem ar. Senti um estalo e era o cinto dela que estava soltando, tiro uma das minhas mãos do assento, tento fazer força para segurá-la, ela começa a gritar desesperada pedindo socorro e começou a escorregar, eu só pensava em fazer força para segurar, mas não podia soltar a outra mão.

Não consegui. Vi a Marcela despencando pelos trilhos e seu corpo estourando na queda feito um balão. Foi assim que o estado de choque passou e comecei a gritar, mas de nada adiantava, escutei umas pessoas caindo, algumas fizeram um barulho de bater no metal, outros acho que caíram direto no chão.

O carrinho então voltou a andar, mas estava tão rápido que os trilhos começaram a se soltar, escutei gritos e os últimos carrinhos caindo pelos trilhos atrás de mim. Só tinha sobrado o meu carrinho e percebi que tinha chegado minha hora. Os trilhos sumiram na minha frente, comecei a cair, fechei os olhos para morrer.

Alguém estava me empurrando, abro os olhos meio confusa. Escuto um barulho irritante, acho que é uma sirene.

– Acorda dorminhoca! Já são 5:50, vamos chegar atrasados.

Era o despertador, e o meu único irmão, o Marcelo.


Ilustrador: Brendom Rodarte

Escritora: Nathália Santos

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