Entre Irmãos

Como posso gostar de uma coisa tão medonha e grotesca como essa? E ainda por cima seu povo nunca entrará no céu, Meu Deus que tanto prego e amo, porque deixou isso acontecer? Como deixa sua filha amar um pagão? Ele bateu em minha porta, tomou posse de mim e foi inevitável resistir, senhor, agora é tarde demais. Eles irão morrer na guerra, são muitos cristãos, meu querido nórdico e seu exército não irão aguentar, preciso ajudar, não posso pedir a você mais meu Deus, infelizmente vou ter que o abandonar, não posso ama-lo senhor, se os quer todos mortos. Preciso pedir ajuda para o Deus do meu amor, eu posso e consigo. Ele canta para mim sempre sua oração quando pula os muros escondidos para se deitar comigo, mas não basta só rezar, ele sempre falava:

– Meu Deus exige sacrifícios

Sacrifico a minha vida para você Odin em troca da vitória dos nórdicos nessa guerra.

Assim que pronunciei seu canto, apareceu um senhor velho e robusto na minha frente dizendo ser o todo poderoso Odin e aceitava o meu sacrifício para salvar seu povo:

– Minha criança estou aqui para ajudar, basta em mim confiar, serás considerada minha filha a partir de agora e não mais uma cristã, só precisas me entregar o que carregas de mais valioso.

 Eu congelei, achei que iria morrer naquele instante, essas palavras “aquilo que carregas de mais valioso” estava em dúvida, não tinha certeza se realmente carregava um filho.

 -Meu filho? – Ainda o indaguei para ter certeza e escutei seu sim com os olhos fechados abraçando o meu ventre com muita força. Me deparei em lágrimas, sabia que seu Deus exigia sacrifícios, estava disposta a qualquer coisa mas nunca pensei que perderia alguém para ter meu homem de volta.

Minha cabeça começou a girar com ele repetindo:

– Não posso ficar muito tempo na terra minha criança.

 Minhas vistas ficaram escuras, ainda estava sentindo que iria morrer ali na sua frente antes de decidir. Disse sim, caindo aos pés em lágrimas, queria meu amor mais que tudo, mas essa era a única solução, Deus já tinha me abandonado, o único consolo é que se ele permanecer vivo, poderemos ter mais filhos. Sei que levarei essa angústia pelo resto da minha vida mas terei meu nórdico vivo.

-Então tire-o daí de dentro!

Comecei a tremer. Odin entregou para mim um punhal e ergueu a minha mão em direção a minha barriga:

-Não posso! – Respondi com a voz tremula e ele sussurra para mim sendo bem grosso:

 – Pode sim, você quer ou não seu homem de volta?

Comecei a achar estranho, esse não era o Odin pai de todos que meu amado contava em suas histórias, se ele era um pai, pensei que fosse como meu Deus, um pai acolhedor. Mas como não tinha opção, apunhalei com muita força a minha barriga e quando olhei para Odin ele não era mais um velho.Parecia ter rejuvenescido uns trinta anos, estava alto, agora com cabelos pretos e com a pele muito pálida, com olhos tão verdes como as folhas das árvores que estavam em volta. Sorriu colocando minha cabeça sobre seu colo.

 – Criança tola, você não chamou meu pai, chamou seu filho Loki o Deus da trapaça.

 E foi deitando a cabeça sobre á minha me dando um leve beijo na testa e sussurrou:

– Eu não me importo com o meu povo, só me importo em ferir meu querido irmão que resolveu brincar de ser humano na terra e gerar um herdeiro.

Essa foi a última coisa que escutei antes de morrer.

Nathália Santos

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